Confiança Traída: Quando o Erro Não Cabe na Lei, Só na Consciência

Um advogado recebe, retém e não repassa o dinheiro do cliente. Tenta justificar. A realidade desmonta a versão. A Justiça confirma a condenação, mas o caso vai além da sentença: expõe o que acontece quando a confiança é tratada como detalhe — e não como obrigação. Saiba mais...

COTIDIANOSEGURANÇA PÚBLICAPOLÍCIA CIVIL

Alex Galvão

4/26/20261 min read

Tem coisa que não é só ilegal.

É errado.

E quando é errado, pouco importa o argumento técnico que venha depois.

A Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios manteve a condenação de um advogado que fez o básico… errado.

Recebeu dinheiro do cliente.

E não repassou.

Simples assim.

Sem tese complexa.
Sem zona cinzenta.
Sem interpretação sofisticada.

Dinheiro de cliente não é do advogado.

Ponto.

Segundo o processo, depois de levantar os valores, ele reteve a quantia. Mais tarde, tentou remendar a situação com um acordo parcelado.

Pagou R$ 1 mil.

Devia mais de R$ 15 mil.

E parou por aí.

Na Justiça, tentou justificar.

Disse que perdeu contato com o cliente.
Que ele mudou endereço.
Mudou telefone.
Que não houve dolo, nem culpa.

Mas o problema da mentira mal construída é que ela não resiste ao básico.

A prova mostrou que o cliente continuava no mesmo lugar.
Mesmo número.
Mesmo acesso.

Ou seja: não faltou contato.

Faltou postura.

E isso ficou ainda mais claro quando o próprio advogado continuou conversando com o cliente depois de receber o dinheiro — sempre com respostas vagas, sempre empurrando a solução.

Quem age de boa-fé não enrola.

Resolve.

A condenação foi mantida:
R$ 15,2 mil por danos materiais.
R$ 2 mil por danos morais.

E não para por aí.

O caso foi encaminhado para a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal e para o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

Porque aqui a discussão deixa de ser só cível.

Passa a ser ética.

E possivelmente criminal.

No fim, esse tipo de caso não fala só sobre um advogado.

Fala sobre confiança.

Sobre alguém que entrega um problema nas mãos de um profissional — e recebe, de volta, um prejuízo.

Justiça não é só sentença.

É limite.

E, às vezes, o que ela faz é lembrar o óbvio:

Não existe justificativa aceitável para se apropriar do que não é seu.